LETRAS DAS MÚSICAS


Canto da Lavadeira
(Domínio Público)

Ô lavadeira que lava no areal
Ô lavadeira que lava no areal
Faz sol meu Deus pra lavadeira lavar
Faz sol meu Deus pra lavadeira lavar
        

As Ganhadeiras
(Lídio Brandão - Falecido)

As ganhadeiras nascidas na praia de Itapuã
Vendendo peixinhos baratos, pescados pela manhã
Quem quer comprar os peixinhos, eu trago aqui pra escolher
Deus lhe ajude a pescar pra você vender
Já vou embora senhores, espera até quando eu voltar
Vou esperar a chegada do saverinho no canal
E também as jangadinhas que adam no mar a navegar
Com todos peixinhos que nós precisamos rematar



Mercações                                                         

E olhe o amendoim torrado, e olhe o amendoim
(Maria de Xindó)

Coco Verde, coco mole / Itapuã, São Salvador / Vem comprar Iô Iô / Vem comprar Iá Iá / Olhe o coco Iô Iô
(Anamaria da Virgens)

Lelê com lê, Lelê com lê, Lelê com lalá
(Anamaria da Virgens)

ô freguesa venha cá, o coco vou ralar, vou fazer minha cocada, vou pra feira pra mercar / Já ralei o coco, vou ralar, minha cocada, vou mercar / Vem benzer freguesa, cocadinha preta tá na hora tá
(Rachel da Virgens)

Xaréu robalo, guaricema peixe galo
Sardinha pititinga, preta Maria chegou
(Amadeu Alves)



Bando das Ganhadeiras
(Reginaldo Souza)

Vem chegando as Ganhadeiras da praia de Itapuã
Hoje tem samba de roda só termina de manhã

Mataram o meu boi eu não sou culpado não
Eu estava sem dinheiro e vendi pra meu patrão

Se o patrão deixar caso com preta Maria
Pois de fome ela não morre eu trabalho é na Bahia

Vai moleque buscar o azeite
Traga pão dormido gengibre tem lá
Camarão e castanha no cesto
Traga coco seco vai ter vatapá


Com a Alma Lavada
(Jenner Salgado)

Ô lava a roupa lavadeira do Abaeté
Na sombra do angelim
Até quando Deus quiser

Ô lava a roupa lavadeira do Abaeté
Na sombra da aroeira
Até quando Deus quiser
  
Na sombra da aroeira
Deixa o tempo passar
Na sombra do angelim
Espera a roupa quarar
  
Na sombra do angelim                                                  
Deixa o tempo passar
Na sombra da aroeira
Canta e dança iaiá
Ô canta e dança iaiá

Ô Roda o sol
Ô roda a saia
Sai o dia
Enluará

Ô Roda o sol
Ô roda a saia
Com a Alma lavada



Histórias das Ganhadeiras       
(Amadeu Alves)

Xaréu, robalo, guaricema, peixe-galo
Sardinha, pititinga, Preta Maria, chegou
Mangaba, Cambuí, araçá
Cajá-umbu, caju, manéveio
Nicuri, cõco verde, gajirú

A brasa abraça a madeira
A chama vem clarear
Estórias a noite inteira
Pra ver o dia raiar

Galo cantou, pé na estrada pra amanhecer
Na beirada do rio pra ver marear
Esperando a maré baixar

No cheiro da aroeira
A sombra pra descansar
História das Ganhadeiras
Que nós viemos contar

Xaréu, robalo, guaricema, peixe-galo
Sardinha, pititinga, Preta Maria, chegou
Mangaba,. Cambuí, araçá
Cajá-umbu, caju, manéveio
Nicuri, câco verde, gajirú

  
Passado e Presente
(Eunice Jorge dos Santos)

Desde o tempo de criança
Eu veraneava em Itapuã
Hoje moro nesta terra
Entrego a Deus o amanhã

Água encanada, não existia
Os poços é que se viam
Lata d'água na cabeça
Mamãe dizia, não esmoreça

Itapuã, dos coqueirais
Itapuã, do Abaeté
Itapuã de Dorival e Vinícius
Dos baianos, e do acarajé
"Itapuã, terra boa, hospitaleira 
Me lembro no meu tempo de criança, 
Eu morava na Liberdade, veraneava aqui em Itapuã 
Mamãe mandava comprar peixe na praia 
Eu ia com meus irmãos, puxava rede, ganhava quinhão 
Levava muito peixe pra casa e as vezes o dinheiro de volta 
Lavava roupa no Abaeté, cantava em programa de calouros 
Itapuã era uma paz, mas a paz de Itapuã vai voltar
Porque Deus pode, Deus é mais, Deus pode tocar em mim
Deus pode tocar em você e a paz acontecer não só em Itapuã 
Mas no mundo inteiro" (Mensagem de Eunice Jorge dos Santos)



 Conto de Areia                                                   
(Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento)

Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro
Marêia ô, Marêia
Contam que toda tristeza que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia pra gente contar

Um dia morena enfeitada de rosas e rendas
Abriu seu sorriso moça e pediu pra dançar
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata
E as águas de Amaralina eram gotas de luar

Era um peito só cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro
O vento que rola das palmas arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas de Iemanjá
E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder chegar

Adeus, amor
Adeus, meu amor não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora
Desfia colares de conchas pra vida passar
E deixa de olhar pros veleiros
Adeus meu amor eu não vou mais voltar

Foi beira mar, foi beira mar que chamou
Foi beira mar é,, foi beira mar


Festa Na Aldeia
(Amadeu Alves e Reginaldo Souza)

O Bando Anunciador quando saia nas ruas fazendo folia Chamando o povo todo pra se encontrar
Dia primeiro de fevereiro, véspera de festa na aldeia
De todo canto surgia transbordando de alegria Levando rebolo, pandeiro, chocalho e ganzá

Cuíca e flauta havia. Cavaco e viola na parceria
Sanfona e zabumba, nunca vi faltar
Subia e descia ladeira até capoeira tinha pra animar
Entrava e saia nas ruas, madrugada inteira fazendo fuá

Quem viu, viu
Quem não viu quer vê
Quem virá verá
Como é que faz tempo bom quando quer chegar

Quem viu, viu
Quem não viu quer vê
Quem virá verá
Se você quer ver tempo bom
Comece a plantar

No dia seguinte bem cedo
Alguns canoeiros prontos pra levar Balaios e muitos presentes
Todos contentes, a lavagem ia começar

E o mar já coberto de flores
Na terra sambava, rezava, cantava louvores
Em homenagem a nossa mãe Yemanjá

Quem viu, viu...

Maré Mansa
(Jenner Salgado)     

Ela sai no malê
Dança balé

É debalê
Ela é candomblé

É maré mansa
A negra dança
É maré mansa
É negra a dança iaiá

É maré mansa 
A negra dança 
É maré mansa
É negra a dança iaiá

Lá o negro Malê
Canta encanta sua revolta
Em volta de si em volta de si

Areias brancas 
Areias brancas
Areias brancas
Areia branca
É maré mansa a negra dança iaiá


Rainha do Mar
(Dorival Caymmi)

Minha sereia é rainha do mar
Minha sereia é rainha do mar
O canto dela faz admirar
O canto dela faz admirar
Minha sereia é a moça bonita
Minha sereia é a moça bonita
Nas ondas do mar aonde ela habita
Nas ondas do mar aonde ela habita
Ai, tem dó de ver o meu penar Ai, tem dó de ver o meu penar


O Mar                                                            
(Dorival Caymmi)

O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito
O mar, pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
Nas ondas do mar
O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito
Pedro vivia da pesca, saia no barco
Seis horas da tarde, só vinha na hora do sol raiá
Todos gostavam de Pedro
E mais do que todos, Rosinha de Chica
A mais bonitinha, e mais bem feitinha
De todas as mocinha lá do arraia
Pedro saiu no seu barco, seis horas da tarde
Passou toda a noite, não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro jogado na praia
Roído de peixe, sem barco, sem nada
Num canto bem longe lá do arraia
Pobre Rosinha de Chica que era bonita
Agora parece que endoideceu
Vive na beira da praia, olhando pras ondas
Andando, rondando, dizendo baixinho
Morreu, morreu, morreu, oh...
O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito...


Lição de Vida
(Reginaldo Souza)

Papai era pescador, mamãe lavadeira
Eu ganhava meus trocados
Vendendo beiju na feira
Vendendo beiju na feira
Nunca me faltou o pão
Comprava com meus trocados
Carne, arroz e feijão

Papai era pescador
Mamãe lavadeira
Eu ganhava meus trocados
Vendendo beiju na feira

Assim que papai dizia
Amanhã não vou pescar,
Pois é dois de fevereiro
Vai haver festa no mar
Vou levar os meus presentes
Bem cedinho quero chegar
Para ser um dos primeiros
A saudar Iemanjá

Papai era pescador
Papai era pescador

A noite ia para escola                                         
Às vezes de pé no chão                                                             
Na base do candeeiro
Estudava a lição,
Me formei em Bacharel
E digo com todo amor
Mamãe era lavadeira

Papai era pescador
Papai era pescador
Papai era pescador
           

Tiras de Sambas de Roda
(Domínio público)

Patutri tava sentado lá beira da lagoa
Esperando a sua amada, de que lado ela voa
Xô paturi da lagoa (BIS)
Sereiá, sereiá, sereiá, sereia
Eu nunca vi tanta areia no mar Ô Ô sereiá, sereia

Ô canôa não me jogue n água (BIS)
Aqui tem Obaluaê, aqui tem mãe d'água (BIS)

Lá vem o homem que mata a mulher de fome (BIS)
Pega seu chapéu vai embora seu homem (BIS)
Minha morada é aqui ô mulher (BIS)

Homem que não tem dinheiro, mora na pedra furada
Quando a mulher não quer ele, ele sai de arribada
É quando eu dou (BIS)
É quando eu dou, a minha risada, há, há
Belecum Belecum Belecum Bê (BIS)

Ê ê – ê ô fala o boi malabá (BIS)
Ê fala o boi Malabá, ê fala boi Malabá

Quem tiver seu boi prenda no morão

Que eu não planto roça para boi ladrão 

Quem tiver seu boi prenda no currá
Que eu não planto roça para boi robá

Ô lê ô, ô lê á eu vou tirar meu amor do samba (BIS)
Eu vou tirar meu amor do samba como já disse que vou
Eu aqui não sou querida mais na minha terra eu sou
Ô lê ô, ô lê á eu vou tirar meu amor do samba (BIS)
Eu vou tirar meu amor com Deus e nossa senhora
Eu não quero o meu amor no samba
Ô lê ô, ô lê á eu vou tirar meu amor do samba (BIS)

Ô puxa, puxa leva, leva joga pra cima de mim
Eu sou filha de maré, filha de maré sem fim
Ô lê ô, ô lê á eu vou tirar meu amor do samba (BIS)
Tu de lá e eu de cá, o rio passa no meio
Tu de lá dá um suspiro, eu de cá suspiro e meio
Ô lê ô, ô lê á lê a eu vou tirar meu amor do samba (BIS)
Olô pandeiro, olô viola (BIS)

Pandeiro não quer que eu fique aqui
Viola não quer que eu vá embora
       
Na praia de Amaralina,
Eu vi camarão sentado falando da vida alheia,
Fala camarão malvado (BIS)

Piaba, piaba que piaba danada pra nadar, que piaba danada pra nadar, que menina danada pra sambar
Eu vim aqui foi pra vadiar (BIS)
Vadeia vadeia não vadeia
Vadeia pomba na areia (BIS)

Adeus vou embora, vou me embora pra outro lugar, vou me embora pra outro lugar, vou me embora pro lado de lá.

O galo cantou vamo apagar a fogueira (Bis)
Tá na hora de partir o Bando das Ganhadeiras (Bis)





3 comentários:

Suzete De Mattos disse...

Essas mulheres são demais...verdadeiras represetantes da originalidade da negritude e da vida do simples baiano.daquele que vive alem da fronteira do turista que se encnata pelo Pelourinho e demais praias de Salvador....quem lê Jorge Amado Mar Morto - tem de ter essas músicas de fundo! Adoro!!!

Lulu Antunes disse...

O cd é lindo mas não pude deixar de notar que a terceira faixa do disco, "As ganhadeiras", na realidade é uma parodia da composição de Geraldo Pereira chamada "Você está sumindo". Seria correto se houvesse uma menção ao nome do compositor original que não aparece nos créditos. Obrigada!

Anônimo disse...

É mesmo super demais